A experiência da cor

O simbolismo da cor no Quattrocento.

Mario Equicola (1525) – admite as diferenças nos significados das cores em termos antigos e da época.  Ele fala das diferenças entre italianos, espanhóis e franceses no que tange o simbolismo das cores e propõe que esta variedade de pontos de vista seja justaposta.  Na mesma época, Fulvio Pellegrino Morato, sugere que o olho deve ser o único juiz do significado das cores.

Dependendo de seu significado, algumas combinações são desagradáveis ao olho (em um aspecto estético).

No Quattrocento, o simbolismo das cores, mesmo em um contexto religioso, começa a ter uma inflexão materialista, relacionado ao valor dos pigmentos, por exemplo, na Itália da Idade Média, o pigmento ultramarino era caro e, portanto, nobre.  O vermelho, também, era considerado uma cor mais preciosa para a roupa.  O pigmento escarlate era retirado do inseto kernes (1464), sendo mais valioso do que o ultramarino.

O domínio dos pigmentos pelos patrões que contratavam os artistas denotava o seu poderio.  Eles diziam para os pintores quais os materiais que deveriam ser usados nas obras, mas não a quantidade e onde.

Um dos exemplares mais antigos da fabricação de pigmentos é o vermelion artificial feito com sulfa (sulphur) e mercúrio pelos alquimistas (no século XIII foram considerados hereges pela Igreja).

Tanto as tradições cristãs quanto as judaicas dão grande importância aos aspectos simbólicos das cores.  Para Flavius Josephus (escritor judeu do século I DC) as cores simbolizam os quatro elementos: o escalarte está ligado ao fogo; por ser uma fibra vegetal o linho branco esta ligado à terra; o azul ao ar;  e por ser retirado de uma concha, o púrpura está ligado à água.

Uma Experiência psicológica

Todo o estímulo que recebemos do mundo externo está conectado com o mundo interior, a psique. Ao mesmo tempo, entendemos que a cor não depende apenas de um estímulo interno, ela, também, é originada através do poder da imaginação em nosso mundo interior. A impressão da cor não é a penas um mecanismo da visão, ela é uma sensação ou sentimento que, simultaneamente, ativa nosso pensamento e nosso mecanismo cognitivo. Isto é, quando vemos a grama verde, imediatamente associamos a grama com a cor verde e vice-versa.

Os seres humanos recebem 80% das informações do meio ambiente. A cor pertence ao ambiente, isto significa que ela é parte desta informação e comunicação.

Para se ver a cor além do aspecto óptico, devemos entender esta relação com o mundo exterior corresponde a reações interiores, nossa psique. Muitos fatores trabalham juntos neste processo, parte em um nível consciente e parte em um nível inconsciente. Nós assumimos seis fatores básicos que influenciam a experiência da cor. Usando uma pirâmide como figura classificadora:

 

 

Reações biológicas
As pessoas são sensíveis às reações biológicas da luz solar carregadas pelo sistema visual para o hipotálamo e para a glândula pineal e pituitária, que controlam todo o sistema endócrino.

Inconsciente coletivo
O inconsciente coletivo é construído por arquétipos. São predisposições ou potencialidades oriundas das experiências em nosso mundo, tais como aconteceram com nossos ancestrais. É um reservatório de imagens latentes, usualmente chamadas de “imagens primeiras” que se referem aos primeiros desenvolvimentos de nossa psique.

Simbolismo consciente e associações
Existem inúmeros exemplos de associações que tem uma interpretação universal em diferentes culturas: azul com céu e a água; verde com a natureza. A aplicação da cor utilizando seus aspectos simbólicos é de grande importância em publicidade, moda, produtos, design gráfico e arquitetura.

Influências culturais
Associações, simbolismos e impressões têm características específicas que variam em diferentes culturas, mesmo no nível regional.

Influência de tendências, moda e estilos
As tendências de cores aparecem na indústria da moda e no consumo. No design de interiores e na arquitetura as cores mudam mais lentamente. As mudanças nas cores são necessárias para se adaptarem ao Zeitgeist (espírito de um tempo particular).

Relação pessoal
A nossa relação pessoal com a cor, reflete nossos desejos, indiferenças e desgostos em relação a determinados tons. Nosso gosto pessoal só é revelado em testes de cor para psicodiagnósticos, tais como os de Frieling, Pfister ou Lüscher. Estes testes mostram, espontaneamente, as cores que gostamos ou desgostamos sem associação com objetos ou experiências anteriores.

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